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Piadas de palavrões


O cara chega ao restaurante, senta-se e, acenando com o braço, diz:

-Faz favor, firmeza, fineza fazer frango frito!

-Pois não, com quê, cavalheiro?

-Farofa, feijão e fritas.

-Deseja beber alguma coisa?

-Fanta.

-Um pãozinho para esperar a refeição?

-Faça fatiado.

O garçom serve o cliente inconformado com o fato dele falar tudo com F, e volta depois que o sujeito termina a refeição.

-Vai querer sobremesa?

-Frutas frescas.

-Tem alguma preferência?

-Figo.

Depois da sobremesa, ainda curioso, o garçom pergunta:

-O senhor deseja um café?

-Forte e fervido.

Quando o sujeito termina o café, o garçom lhe faz algumas perguntas:

-E então, como estava o cafezinho?

-Frio, fraco, fedorento, fervido num filtro furado, formiguinhas flutuando no fundo e fazendo fofoca.

Aí o garçom decide desafiá-lo a fim de testar até onde ele vai.

-Qual é sua graça?

-Felipe Florêncio Farias Filho.

-De onde o senhor vem?

-Fortaleza.

-O senhor trabalha?

-Fui ferreiro.

-Deixou o serviço?

-Fui forçado.

-Por que?

-Faltou ferro.

-E o que o senhor fazia?

-Ferrolho, ferradura, faca... ferragem.

-O senhor torce por algum time?

-Fui Flamengo.

-E deixou de ser por que?

-Fez feio.

-Qual é o seu time agora?

-Fortaleza.

-O senhor é casado?

-Fui.

-E sua esposa?

-Faleceu.

-De que?

-Frio e fome.

O garçom perde a calma e diz:

-Escute aqui, se você falar mais dez palavras com a letra F, pode se levantar e ir embora sem pagar a conta.

-Foi formidável, figura. Fazendo fiado, fácil, fácil fico freguês!

O homem levanta-se e sai andando, mas o garçom grita:

-Ei, espere aí! Ainda falta uma palavra!

O homem responde, sem se virar:

-F#da-se!


Foi Fácil Falar, né!?




Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. "Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!". E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!". Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala.

Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas.Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade. E...foda-se!"
(Texto de Millôr Fernandes)



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